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As startups já causam um estrago na economia do Brasil e do mundo. Mas, afinal de contas, o que configura uma startup?

Você quer saber a definição exata do que é uma startup?

Eu gostaria de ter uma resposta clara e direta para você, mas infelizmente não existe uma.

Podemos utilizar algumas citações de grandes empreendedores sobre o tema para chegarmos a algumas conclusões:

“Startup é uma organização temporária em busca de um modelo de negócios repetível e escalável.”

Essa é a definição do Steve Blank, empreendedor serial e professor da Stanford University.

Já Eric Ries, que foi um dos alunos do Steve, e criador do movimento Lean Startup usa como definição o seguinte:

“Startup é uma instituição humana concebida para criar um novo produto ou serviço em condições de extrema incerteza”

Eu, particularmente, gosto da junção dessas duas definições com algumas palavrinhas a mais:

“Startup é uma organização temporária com objetivo de buscar e validar um modelo de negócios repetível e escalável para resolver um problema de verdade, através da inovação, geralmente tecnológica, de um produto, serviço ou do modelo de negócios, em condições de extrema incerteza”.

Ainda está um pouco confuso?

Então leia esse artigo até o final porque eu vou desconstruir essa frase acima e explicar para você, de forma didática e detalhada, o que é uma startup.

O que é uma startup?

Agora, vamos separar alguns trechos da nossa definição de startups e entender melhor o seu significado. Para isso, vou destrinchar cada um dos conceitos da frase que utilizei acima:

1. Organização temporária

Uma startup não nasce para se perpetuar como startup. Seu objetivo é desenvolver uma forma inovadora de resolver um problema de verdade e se transformar em uma empresa.

Empresas como Facebook e Google já foram startups, e hoje são empresas. No entanto, elas ainda mantém algo essencial para os negócios atuais: uma cultura de inovação contínua, inerente às startups.

(Lembrando que nem todo negócio novo é uma startup…)

2. Buscar e Validar

Steve Blank percebeu uma diferença enorme entre Startups e empresas comuns:

O objetivo de um startup é buscar e validar um modelo de negócios repetível e escalável.

Já a meta de uma empresa comum é executar um plano operacional e cumprir as projeções financeiras.

O trabalho de uma startup é definir hipóteses e testá-las, de forma rápida e barata, até validar, ou não, suas deduções.

Ao passo quem, em uma empresa já possui um modelo de negócios que funciona, o papel dos seus gestores é otimizar e alavancar o resultado.

Em resumo: uma startup NÃO é uma versão pequena de uma empresa.

São bichos totalmente diferentes.

3. Modelo de Negócios

Modelo de negócios é a forma pela qual a empresa cria (através da sua proposta de valor), entrega (custos envolvidos para concretizar a proposta de valor para o cliente) e captura valor (fontes de receita).

Vale ressaltar que modelo de negócios e plano de negócios são coisas bem diferentes.

O modelo de negócios serve para entender as principais hipóteses sobre o novo negócio.

As principais metodologias utilizadas para modelar a sua startup são o Business Model Canvas e o Lean Canvas.

Já o objetivo do Plano de Negócios é desenhar um plano detalhado de todas as etapas que devem ser realizadas.

Por que planos de negócios não funcionam para startups?

Porque o funcionamento delas é baseado em hipóteses.

Se alguma hipótese não for validada, teremos que refazer todo o plano. Por isso quando se cria um novo negócio, principalmente uma startup, devemos utilizar um modelo de negócios dinâmico, pois os aprendizados constantes fazem com que o próprio modelo tenha que ser constantemente atualizado.

4. Repetível e Escalável

Ser repetível significa conseguir entregar o mesmo produto ou serviço em uma escala indeterminada, sem precisar customizar para diferentes clientes.

Por exemplo: para vender um CD, você precisa fabricar uma unidade, você tem um custo variável de produção para cada CD.

Você não pode vender o mesmo CD (produto) para 2 pessoas

Agora, veja o caso do Spotify: você tem todas as músicas por streaming e o mesmo produto pode ser vendido para todos clientes.

Além disso, o custo adicional de cada cliente é bem próximo de zero.

Ter custo variável praticamente nulo é o que permite às startups terem um potencial de escala enorme.

E o desenvolvimento tecnológico é fundamental para escalar.

Um exemplo claro de um negócio que não é escalável: um restaurante tem capacidade de atender 100 clientes por dia. Se eu levar 400 lá, será impossível atender a todos.

Já o Spotify, se quiser, pode adicionar um número de clientes praticamente ilimitados por dia.

5. Problema de Verdade

O objetivo de toda empresa é (ao menos deveria ser) resolver um problema de verdade.

Mas, não é o que vemos na prática…

Segundo pesquisa do CB Insights o principal motivo por que startups fecham é elas fazerem algo que ninguém quer comprar.

Isso mesmo que você leu. Parece um absurdo né?

Isso acontece pelo viés do empreendedor, que se apaixona pela sua solução e esquece que o objetivo final é resolver o problema do cliente.

Se você focar na sua solução ao invés de resolver o problema, o seu fim pode ser parecido com de gigantes como a Kodak (não quis desenvolver as câmeras digitais) e Blockbuster (recusou comprar a Netflix).

6. Inovação

O ser humano não gosta de mudar seus hábitos.

Por isso, é muito difícil fazer um cliente em potencial sair da solução atual do problema dele para sua.

Você precisa ter uma solução, pelo menos 10x melhor que a do seu concorrente.

É aí que entra a inovação: ela pode ser no produto/serviço ou no seu modelo de negócios.

Vamos ver um exemplo da indústria musical:

Eu sou da época da fita K7, gravava as músicas do rádio e era um trabalho beeeem chatinho…

Depois vieram o CD e o DVD, que facilitaram muito: poderia pular faixas e armazenava mais músicas.

Em seguida o lançamento do Ipod. Era possível ter mil músicas no meu bolso. Wow!

Mas a grande inovação do Ipod foi mesmo no modelo de negócios: eu não precisava mais comprar o CD inteiro, podia escolher as faixas.

Afinal de contas, quem ouve CDs inteiros?

Finalmente, veio o Spotify e inovou completamente: quase todas as músicas do mundo no seu bolso e pagamento mensal recorrente. Não compro mais CDs e nem músicas avulso…

A inovação é parte crucial de uma startup, seja ela no produto, serviço ou no seu modelo de negócios.

7. Extrema Incerteza

Quando falamos de startups, incerteza é uma palavra que está sempre junto.

Porque a base de uma startup são hipóteses (em bom português: grandes chutes) que precisam ser validados.

O papel do empreendedor é identificar as hipóteses mais arriscadas e arrumar maneiras, com baixo custo de tempo e dinheiro, para testá-las.

Eric Ries, autor best-seller do livro Lean Startup (A Startup Enxuta em português) desenvolveu uma metodologia para aumentar as chances de sucesso das startups.

O conceito de Lean tem como origem a filosofia de gestão do Sistema Toyota de Produção e sua base está em melhoria contínua e desenvolvimento sem desperdício.

Apesar de startups serem altamente arriscadas, podemos aumentar as chances de sucesso ao utilizar metodologias Lean, que possuem foco em testar de forma rápida e barata as hipóteses de uma startup.

Conclusão

Como vimos, não existe uma definição “oficial” do que é uma startup. Mas, podemos usar alguns conceitos e entender o espírito da coisa.

Segue a definição que acho mais assertiva:

Startup é uma organização temporária com objetivo de buscar e validar um modelo de negócios repetível e escalável para resolver um problema de verdade, através da inovação, geralmente tecnológica, de um produto, serviço ou do modelo de negócios, em condições de extrema incerteza

Importante lembrar que uma startup não é uma versão pequena de uma empresa.

A grande diferença é que startups estão na fase de busca, enquanto que empresas maduras focam em executar.

Agora que você já sabe o que é uma startup, que tal tirar sua ideia do papel e começar a construir sua própria startup?


Este texto de Tiago Guedes integra a sessão de artigos do blog do Conquer Labs, em que profissionais de renome do mercado são convidados a escrever sobre inovação.

Tiago Guedes

Tiago Guedes

Conselheiro independente para negócios digitais e startups, Tiago atua em empresas de renome, como Renova Energia, Light e Oi. Sua missão é garantir que as empresas que resolvem problemas reais continuem operando e prosperando.

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